O Jesus celebrado no Natal
Parte 4
Continuamos examinando Apocalipse 1.9-20, em busca do Jesus celebrado no Natal.
Em nossa devocional anterior vimos como Jesus faz a ponte entre Deus e nós, entre nós e Deus. Ele nos convida à sua santidade. Qualquer sacerdote que faz questão de afirmar mais o pecado humano do que as possibilidades da pureza humana é um falso sacerdote. Mas Jesus não é apenas um sacerdote, Ele é Rei!
“Seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente e sua voz como o som de muitas águas.”
Ele também é provado pelo fogo, mas não é destruído, não é consumido pelo fogo. Isso nos remete a Daniel 10, que narra um novo encontro de Daniel com aquele que é semelhante ao filho de homem, e no versículo 4 ele diz: “No vigésimo quarto dia do primeiro mês estava eu de pé à margem de um grande rio (Tigre), olhei para cima e diante de mim estava um homem vestido de linho com cinto e ouro puríssimo na cintura (o sacerdote). Seu corpo era como berilo, o rosto como relâmpago, os olhos como tochas acesas (olhos de fogo), seus braços e pernas como reflexo de bronze polido, sua voz com o som de uma multidão.”
Diferente daquela estátua que Daniel, no capítulo dois, interpretando o sonho de Nabucodonor, descreve como uma estátua de pés de barro, este filho de homem tem os pés de bronze. E os pés de bronze estão numa fornalha ardente mas não são consumidos porque o seu reino não terá fim. Ele também é provado pelo fogo e o seu reinado sobrevive ao fogo.
Sua fala é fala de autoridade. Quando fala o mundo treme porque a sua voz é como o som de muitas águas. Não há uma referência ao que é dito. João não entende o que Ele está dizendo por que a voz é como o som de muitas águas. João não está preocupado em dizer o que é que Jesus fala, ele está preocupado em acentuar e sublinhar a majestade com que Jesus se pronuncia, a gravidade de Sua voz. Diz o salmista que a voz de Jesus não é somente como o som de muitas águas, mas é a voz que está sobre as muitas águas! É voz de trovão. É voz que infunde temor e reverência. Diante deste Rei de um Reino eterno, somente é possível uma única postura legítima que é a de prostração e adoração reverente por que a Sua fala é de autoridade.
“ Tinha em sua mão direita sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes.”
Os astrólogos da época acreditavam que o mundo era governado por sete planetas, forças impessoais que determinavam o destino da história. Mas João está dizendo que não. Quem determina o destino da história são, na verdade, as mãos daquele que sustem os sete planetas. Por isso que o autor da carta aos Hebreus diz que Jesus é o criador de todas as coisas e sustenta todas as coisas pelo poder da Sua palavra. Por isso que sai de Sua boca uma espada afiada de dois gumes. O universo não é rígido por forças impessoais, mas por seres inteligentes que estão sob a autoridade do Rei dos Reis, por que as sete estrelas são os anjos das sete igrejas. Não são planetas, são pessoas. E não são quaisquer pessoas, mas pessoas que estão nas mãos do Senhor do cosmos, do universo e da História. Jesus é um Rei que governa pela Sua Palavra. É um Rei que pela Sua Palavra chamou à existência as coisas que não eram como se já fossem! É um Rei que suscita no coração dos Seus súditos a fé pela Palavra que pronuncia, por que a fé vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Deus. Não é um Rei que se impõe na força, mas um Rei que se impõe pelo Seu sacerdócio purificador e pela
Sua Palavra que, pronunciada, produz vida por que Sua Palavra é viva e eficaz!
Por isso que esse mesmo João escreveu no seu Evangelho que “o verbo (a palavra) se fez carne (se fez semelhante ao filho de homem) e habitou entre nós”!
É esse Jesus que é um sacerdote puro e purificador; É esse Jesus que reina através das inteligências que se dispõem em suas mãos, que se dispõem a pronunciar a Sua Palavra neste mundo de caos e desordem; É esse Jesus que adoramos no Natal!
Pr José Carlos